sticky-blueNão tinha nada na sala de tortura do castelo e nem no armazém, deve tá na "outra casa" que ela me disse que tinha sem explicar onde estava.
sticky-blueA palavra experiência estava em verde, será que karma sabia?
sticky-blueserá que ela viu o pedido de casamento?
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armazém.Eu estava lá quando ela abriu a primeira garrafa.
Depois, o segundo.
Depois, o quinto.
Depois, outro.
Ela bebia depressa.
Desesperadamente
O sangue que havia sido guardado desaparecia diante dos seus olhos.
Como quem tenta apagar uma chama com as próprias mãos.
Como quem acredita que, se beber o suficiente, o vazio finalmente cessará.
Mas o vazio não cessou.
Os recipientes diminuíram.
Suas mãos tremiam.
A respiração tornou-se pesada, e a sede continuou alí.
Então, silêncio.
Aquele terrível silêncio que antecede as decisões das quais ninguém consegue voltar completamente.
Eu a observei permanecer imóvel diante do que restava.
O juramento ainda existia, mas dentro dela já não havia mais forças para cumprí-lo.
Vi seus olhos escurecerem.
Vi a razão desaparecer atrás deles.
Vi-a abandonar os últimos vestígios daquela contenção, guiando-se para o lugar onde gritos jamais seriam ouvidos por outros; lugar em que jamais iriam procurar por aqueles que desapareceram.
E eu permaneci ao seu lado, como sempre fiz durante todos esses séculos.
Lamentando vê-la cair no próprio abismo mais uma vez.
Uma única gota denuncia o que os olhos não veem.
Onde as reservas guardam o sangue, há uma sombra esquecida ao canto... e sobre ela, algo que aguarda em silêncio.
trono.Quando o instinto desperta, a razão se torna apenas um sussurro...
Eu a observo há mais tempo do que deveria ser permitido a qualquer alma.
Séculos se desfizeram diante dos meus olhos, mas ela permaneceu. Sempre tão determinada a não se tornar aquilo que um dia almaldiçoou.
Seus olhos, outrora âmbar, agora escarlates desde a doce mordida que seu antigo amor deixou em sua pele, contemplaram o horror.
Havia muito sangue naquela noite.
Sangue onde antes existiam risos, vozes e aqueles a quem ela amava e chamava de família.
Ela percebeu, tarde demais, que a mulher ao seu lado já estava consumida pelo desejo de poder.
Foi naquela noite que a promessa nasceu.
Nunca mais sangue humano tocaria seus lábios, nem mesmo sua carne seria despedaçada por suas mãos e dentes.
Durante anos, vi-a cumprir cada palavra. Porém, havia momentos em que sua sede clamava mais alto, e seu corpo cedia.
Durante anos, alimentou-se do que não gritava por socorro.
Do que não implorava.
Do que não carregava memórias.
Mas promessas feitas contra o próprio instinto são como correntes enferrujadas...
Eu vi aquilo que ninguém percebia.
A fome nunca vai embora; ela apenas aprende a esperar.
E, novamente, ela permanecia acordada quando deveria dormir, sentindo o chamado crescer.
Eu a observei deixar os muros altos do seu castelo e ir até o lugar onde o esforço se transforma em experiência.
Talvez tenha pensado que seria uma forma de distrair sua mente nebulosa.
jardim.Algumas lembranças aquecem a alma.
Eu a vi permanecer entre as flores. Por um momento, ela não parecia carregar séculos sobre os ombros.
Havia apenas a lembrança de um toque.
De um beijo.
De alguém que ainda conseguia fazê-la desejar ser mais do que aquilo em que tornara.
Eu esperei.
Talvez essas flores trouxessem paz.
Talvez aquela memória a fizesse esquecer, por um instante, as imagens que insistiam em voltar.
Talvez o amor fosse forte o bastante para vencer a natureza que ela passou a odiar.
Talvez... Talvez...
Tantos talvez...
A lembrança acalma.
A fome, não.
Quando ela deixou o céu florido, seus olhos já não procuravam pela memória afetiva.
Procuravam alívio.
E havia apenas um lugar onde ela acreditava possuir o suficiente para encontrá-lo.
Um lugar onde o vermelho era guardado cuidadosamente, recipiente após recipiente, com a promessa de que jamais precisaria caçar aquilo que jurara não tocar.
Ela ainda acreditava que algumas reservas seriam capazes de silenciar uma sede que havia aprendido a pedir mais.
farm.Ela tentou.
Eu permaneci ao seu lado enquanto as horas passavam. Durante semanas ela quase não dormiu.
Golpe após golpe.
Criatura após criatura.
Queda após queda.
Ela não ficou por muito tempo neste lugar. Resolveu vagar pelos horizontes, lutando como se cada criatura pudesse levar consigo um pouco daquele desejo.
Mas há desejos que não desaparecem com a fadiga.
Vi seus olhos perderem o brilho do descanso, suas mãos hesitarem por um instante. Vi-a olhar para o vazio entre um combate e outro, como quem escuta uma voz que ninguém mais consegue ouvir.
Não funcionou.
Então, ela abandonou o ruído das batalhas e procurou uma lembrança mais doce. Um lugar suspenso acima do mundo, onde o chão se perde entre as nuvens e o céu parece tocar as flores.
Alí, certa vez, sob a imensa árvore pálida, os lábios de dois amantes encontraram-se em meio a pétalas.
Por um instante, a fome pareceu distante.
Apenas por um instante.
Ela acreditou que aquela memória pudesse saciar aquilo que nem noites inteiras de batalha conseguiriam calar.